Reflexão sobre a existência humana

Reflexão sobre a existência humana
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Por certo você se lembra dos tempos de criança em que a gente brincava de faz-de-conta.

Pois bem, vamos fazer de conta que vivemos num planeta no qual não existem plantas de espécie alguma. Tudo é feito de concreto, construído pelo homem.

De repente recebemos a visita de um alienígena, um viajante espacial vindo de outra galáxia. Este visitante é de boa índole e vem para fins totalmente pacíficos. Trouxe consigo algumas sementes de flamboiã e de ipê.

Como estamos fazendo de conta que somos de um planeta inteirinho de concreto e portanto não conhecemos nenhuma espécie de árvore, obviamente também não conhecemos as sementes que dão origem a tais árvores.

O visitante nos explica, então, que as sementes de flamboiã são parecidas com grãos de feijão, um pouco mais alongadas, de cor cinza com estrias marrons e de uma casca bastante resistente, dura mesmo. Já a semente de ipê é bem diferente. Parece um cir-culozinho de papel vegetal com um miolo no meio, de pouco mais de meio centímetro de diâmetro, com as bordas parecendo que foram recortadas à mão.

Coloca em nossas mãos as ditas sementes e nos diz que em cada uma daquelas pequenas sementes de casca dura existe uma árvore frondosa que, ao atingir a idade adulta, possui tronco de casca cinza-clara, galhos alongados quase que horizontalmente, folhas verdes pequenas e incontáveis em cada pé. Diz também que quando chega o mês de novembro essa árvore se cobre de flores vermelhas, lindas, mais parecendo que o sangue da natureza foi transformado em pétalas. Do ipê, diz que as folhas são maiores, o tronco, mais longo, os galhos crescem mais verticalmente, e no mês de agosto essa árvore floresce totalmente, dando a impressão de que capturou pedacinhos do sol e transformou-os em flores admiravelmente amarelas.

O visitante espacial afirma que naquelas pequenas sementes existem códigos genéticos que darão origem ao tipo de raiz, tronco, galhos, folhas, flores e frutos típicos de cada árvore. Tudo está ali em potencial. Basta que existam as condições adequadas para que uma árvore toda inicie o seu processo de surgir para a vida. Depois de algum tempo de existência cobrir-se-á de cor e exuberância para aqueles que têm olhos para ver.

Para quem vive num planeta sem plantas, isso parecerá uma bonita história que o alienígena contou para encantar os terrestres, mas é muito difícil de acreditar nela. Será preciso muita fé para acreditar no visitante, já que ele apenas disse que naquelas sementes existiam belas e frondosas árvores, mas não as trouxe para serem vistas.

Difícil, muito difícil de acreditar. . . e no entanto o visitante está sendo sincero. Ele vem de um mundo onde existem tais plantas, ele as conhece muito bem, convive com elas. É para ele a mais pura e evidente realidade.

Alguns acreditarão nas suas palavras, não porque viram as árvores, mas por sentirem que o visitante trazia nos olhos e nos gestos a força irresistível da sinceridade e a beleza inconfundível da verdade.

O visitante espacial retorna ao seu planeta de origem e põe fim ao nosso faz-de-conta que somos de um planeta onde tudo é de concreto, portanto, sem árvores.
Voltemos à realidade do nosso planeta pleno de plantas e sementes e por onde já passaram muitos visitantes, quem sabe?. . . vindos de outras regiões do universo, apesar de encarnados como seres humanos.

Avatares, messias, mestres, iniciados ou iluminados, pouco importa a denominação que se deu a esses seres, eles passaram pela Terra em diferentes épocas, no seio de diferentes povos. Assim foi Jesus Cristo no seio do antigo povo judeu; Zoroastro ou Zaratustra entre os antigos persas; Lao-tse entre os chineses; Buda entre os indianos; Maomé entre os árabes e outros mais.

Um ponto comum entre esses grandes místicos é que as verdades que traziam atravessaram os séculos. E entre essas verdades, a de que possuímos uma alma imortal. Uma energia vital que anima o corpo, mas que existe independentemente dele, que é consciente de si mesma, capaz de ter memória e, portanto, de preservar a própria identidade.

Um certo iluminado oriental disse ainda que éramos todos raios de uma mesma Luz. Esse, a quem chamam de Jesus, reverenciado em todo o Ocidente após quase vinte séculos de sua passagem pelo planeta, disse algo semelhante, que éramos todos filhos do mesmo Pai. E mais. . . que éramos feitos à imagem e semelhança do Criador.

Que estranhas visões possuíam esses dignos visitantes?

Parece que viam em nós sementes divinas lançadas no seio da terra, do planeta Terra.

Mas como é difícil de acreditar nisso!

Será que o concreto da nossa ignorância e da nossa pequenez nos impede de ver o maravilhoso flamboaiã ou ipê espiritual que somos?

Será porque ainda sementes, lançadas numa terra anti-fraterna e com tão pouco húmus da solidariedade humana, duvidamos das palavras dos grandes místicos?

Mas eles pareciam ser tão sinceros! Traziam nos olhos e nos gestos verdades que atravessaram os séculos!
Estranhas visões possuíam esses dignos visitantes!

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