Propostas e temas de redação para o ENEM

Educação
junho 2, 2012

Leia com atenção as propostas de redação que seguem e tente criar um pequeno texto para cada função da linguagem: emotiva, conativa e metalinguística. Se você não souber quais são as funções da linguagem, pesquise no Google, ou aguarde os futuros artigos aqui do blog. Você pode ainda pesquisar neste meu outro blog com diversas propostas de redação originais.

Leia atentamente os textos.

Texto 1

Epígrafe

Sou bem-nascido. Menino,
Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau destino
E fez de mim o que quis.

Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugiu como um furacão,

Turbou, partiu, abateu,
Queimou sem razão nem dó
-Ah, que dor!
Magoado e só,
– Só! – meu coração ardeu.

Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria…
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
–  Esta pouca cinza fria…

Manuel Bandeira. Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro, José Olympio, 1966.

Texto 2

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
Acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
– dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado. Poesia Reunida. São Paulo, Siciliano, 1991.

Texto 3

Não uso bigode

Magro, esquisito
Sem jeito pra mulher
(não que não goste delas),
poesia e tentação.
Gosto mesmo é de bola
no campo ou na mão.
Depois do último grito
do meu pai:
– não uso bigode não.

Moacir Sampaio, aluno da 1ª série do Ensino Médio, Colégio Fernão Dias Paes.

Texto 4

Essa mulher

De manhã cedo, essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, lava roupa,
Seca os olhos…
Ah! Como essa santa não se esquece
De pedir pelas mulheres,
Pelos filhos, pelo pão…
Depois sorri meio sem graça e abraça
Aquele homem, aquele mundo,
Que a faz assim feliz…
De tardezinha, essa menina se namora,
Se enfeita, se decora, sabe tudo
Não faz mal.
Ah! como essa coisa é tão bonita,
Ser cantora, ser artista,
Isso tudo é muito bom…
E chora tanto de prazer e agonia,
De algum dia, qualquer dia,
Entender de ser feliz…
De madrugada,
Essa mulher faz tanto estrago,
Tira a roupa, faz a cama,
Vira a mesa, seca o bar…
Ah! Como essa louca se esquece
Quantos homens enlouquece,
Nessa boca, nesse chão…
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz…
Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em quem me esbarro a toda hora
Num espelho casual
É feita de sombra e tanta luz,
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural.

Joyce e Ana Terra. CD Essa Mulher, Elis Regina. M 255900-2, WEA, 1989.

Criação de um auto-retrato

Você deve ter percebido, nos textos anteriores, que os enunciadores revelam traços de suas vidas por meio de um auto-retrato.
Expor a nossa vida, os nossos sentimentos e pensamentos, a nossa visão de mundo não é tarefa simples. Há sempre o medo da revelação de nossa intimidade, o medo da censura alheia – da nossa própria censura -, o medo da deturpação do nosso eu.
O que propomos é um exercício de linguagem em que, por meio das palavras, você possa criar a personagem eu, falando da pessoa eu. Vista-se de palavras e dê a elas o caminho que você desejar.

Orientação

1.  Tente ser natural, usando o seu repertório de palavras e o seu estilo.
2.  Escreva em prosa ou em verso, sem se preocupar com os rigores gramaticais.
3.  Use sempre a primeira pessoa e adjetivos “contaminados” de subjetividade, isto é, que expressem a sua visão.
4.  Explore seus traços físicos e/ou psicológicos.
5.  Procure dizer um pouco sobre: o que você é realmente; o que você gostaria de ser; o que os outros acham que você é.
6.  Escolha o tom que quiser para esse auto-retrato: irreverente, mordaz, cínico, romântico, sério, melancólico, grave etc.

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