Proposta de redação sobre Política

Educação
novembro 17, 2012

O poder sempre é discutido em Sociologia, em História, em Geografia, em Português… Isso porque o poder é um fenômeno social fundamental, atrelado às relações sociais, de maneira a configurá-las. Em um momento em que se discutem as eleições no Brasil, reflita sobre o tema e os textos abaixo:

Texto 1

DEFINIÇÃO — Em seu significado mais geral, a palavra Poder designa a capacidade ou a possibilidade de agir, de produzir efeitos. Tanto pode ser referida a indivíduos e a grupos humanos como a objetos ou a fenômenos naturais (como na expressão Poder calorífico, Poder de absorção).
Se o entendermos em sentido especificamente social, ou seja, na sua relação com a vida do homem em sociedade, o Poder torna-se mais preciso, e seu espaço conceitual pode ir desde a capacidade geral de agir, até à capacidade do homem em determinar o comportamento do homem: Poder do homem sobre o homem. O homem é não só o sujeito, mas também o objeto do Poder social. É Poder social a capacidade que um pai tem para dar ordens a seus filhos ou a capacidade de um Governo de dar ordens aos cidadãos. Por outro lado, não é Poder social a capacidade de controle que o homem tem sobre a natureza nem a utilização que faz dos recursos naturais. Naturalmente existem relações significativas entre o Poder sobre o homem e o Poder sobre a natureza ou sobre as coisas inanimadas. Muitas vezes, o primeiro é condição do segundo e vice-versa. Vamos dar um exemplo: uma determinada empresa extrai petróleo de um pedaço do solo terrestre porque tem o Poder de impedir que outros se apropriem ou usem aquele mesmo solo. Da mesma forma, um Governo pode obter concessões de outro Governo, porque tem em seu Poder certos recursos materiais que se tornam instrumentos de pressão econômica ou militar. Todavia, em linha de princípio, o Poder sobre o homem é sempre distinto do Poder sobre as coisas. E este último é relevante no estudo do Poder social, na medida em que pode se converter num recurso para exercer o Poder sobre o homem. […]

Norberto Bobbio. Dicionário de política. 1 1 ed. Brasília: Editora UNB,2009.

Texto 2

O poder corrompe?

Algumas frases que correm soltas e parecem, inclusive pela força da sua formulação, evidentes por si mesmas, se prestam a somar-se à desmoralização da política, das ações coletivas, do Estado, favorecendo, como contrapartida, o individualismo, o egoísmo, o mercado – que busca congregar a todos como indivíduos na sua dimensão de consumidores.
Há poderes corruptos e outros não. Absolutizar é fazer o jogo dos que querem governos e Estados fracos, como os monopólios privados da mídia. Como dizer que “político é corrupto”, que “partidos são tudo a mesma coisa”, que “as pessoas não prestam”, que “todo mundo é egoísta”, “que o mundo não tem jeito”, “que as coisas estão cada vez pior no Brasil e no mundo”.
O senso comum costuma ser a representação popular de grandes preconceitos. Aparece como “verdades” evidentes por si mesmas, que nem precisam de demonstração. E camuflam valores muito reacionários. Para isso, precisam naturalizar as coisas, tirando seu caráter histórico.
O poder da ditadura, o do Collor, o do FHC e o do Lula são iguais? Basta se chegar ao poder para alguém se tornar corrupto? O poder de uma grande potência imperialista, como os EUA, é mais ou menos corrupto que o poder de um país da periferia? O poder de um grande conglomerado econômico transnacional é maior ou menor do que o dos governos?
Uma ONG internacional publica anualmente o ranking do que seriam os governos mais corruptos do mundo. Um deles colocou o Haiti entre os líderes. Será que o governo do Haiti é mais ou menos corrupto que o governo dos EUA?
Mas o principal problema dessa lista é que ela lista os corruptos, mas não os corruptores, que certamente estão entre as grandes corporações multinacionais. Mas se trata de uma ONG, busca criminalizar os governos e, por dedução, absolver as empresas privadas.
Essa visão criminalizadora da política e do poder sugere que as pessoas são “boas” na “sociedade civil” e quando “entram” para o Estado, para a política, se corrompem. É a visão que sustenta a opinião, tão disseminada, de “quanto menos imposto se paga, melhor”, de que “o seu imposto está sustentando os burocratas”, etc.
Do que se trata é de historicizar o tema. Há poderes e poderes. Todos eles têm natureza de classe. Mas mesmo nesse marco, há poderes assentados diretamente em organizações populares, em dirigentes com compromisso ideológico com os processos de transformação profunda da realidade.
Senão, contribuiríamos para a rejeição da política, deixando para que ela seja feita justamente pelos políticos tradicionais, acostumados a tirar proveitos do Estado e dos governos, a desmoralizar a política.

Carta Maior, Blog do Emir Sader.

A proposta de redação desta semana está vinculada às últimas notícias políticas. Troca de acusações, verdades manipuladas, números falsos e muito discurso. Tivemos o 2º turno da eleição presidencial. Você que está na idade de exercer seus direitos políticos já decidiu? Você que ainda não pode votar já pensou que pelo voto de outros o seu futuro pode ser decidido? Vamos pensar sobre isso.

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Baseado em seus conhecimentos e nos textos apresentados, redija uma dissertação em prosa sobre o tema:

Há poderes e poderes…

INSTRUÇÕES

– Procure não fugir do contexto da coletânea;
– Escreva entre 20 e 25 linhas;
– Use a modalidade culta da linguagem;
– Não rasure e cuide da estética do texto.
– Não é obrigatório usar a coletânea.

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1 Comment

  • Reply Manuel agosto 16, 2013 at 3:33 pm

    Com as eleições autárquicas em perspetiva, importa ponderar-se porque é que o poder corrompe os detentores, não permitindo a Constituição da República Portuguesa a permanéncia em cargos autárquicos, por mais do que três mandatos.
    Seria aconselhável que os meretíssimos juízes do Tribunal Costutucional também refletissem seriamente sobre esta questão candente…

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