Móveis de madeira – tipos e dicas de conservação

Decoração
março 22, 2014

CLASSIFICAÇÃO DA MADEIRA

As madeiras podem ser classificadas, segundo a estrutura interna da árvore, em dois grandes grupos:

Madeiras moles ou brandas — As árvores de madeiras branda pertencem à classe das coníferas — plantas que produzem sementes não abrigadas em um fruto, mas reunidas em forma de cone —, que se caracterizam pelas folhas alongadas e estreitas, semelhantes a uma agulha. Como exemplo de árvores desse tipo e que produzem madeiras brandas estão o abeto, a araucária, o cipreste e o pinheiro, entre outras.

Madeiras duras ou de lei — São provenientes de árvores do tipo dicotiledônea, que têm, quase sempre, folhas largas. Na maioria das vezes são empregadas na montagem de móveis de luxo e em revestimentos de paredes; também são utilizadas, em menor escala, na construção de residências. Só no Brasil são conhecidas cerca de trezentas espécies, das quais aproximadamente um terço tem valor comercial. As mais apreciadas são:

1)   Jacarandá da baía, — pertencente ao género Dalbergia, apresenta-se em árvores de grande porte com flores roxas intensamente perfumadas. A cor da madeira vai do marrom-chocolate até o castanho-violáceo com linhas pretas de vários matizes.  É  frequentemente encontrada  no   sul   da  Bahia,  Espírito Santo,   Rio   de   Janeiro   e   Minas Gerais. A madeira é dura e resistente,   apresentando   certa  dificuldade para ser trabalhada, principalmente      para      fazer      entalhes. Apropriada para o corte somente depois de completar 100 anos.

2)  Jacarandá paulista, pertence ao género Machaerium, também da família das leguminosas. Encontrada em Minas Gerais e São Paulo, apresenta coloração que vai do amarelo-claro ao castanho-escuro, às vezes com reflexos ou sombras arroxeadas.

3)  Gonçalo-alves, encontrada principalmente em Minas, Bahia e Espírito Santo, possui porte elevado, com grande copa e flores pequenas nas cores branca e amarelo-es-verdeado. Tem madeira pesada, de coloração avermelhada com veios escuros.

4)  Imbuía, caracteriza-se    por uma dureza razoável, durabilidade, e  por permitir  polimento  satisfatório. Graças a isto, ela é muito apreciada na fabricação de móveis. Atingindo uma altura que varia de 13 a 30 metros, apresenta uma cor na madeira que varia do amarelo-pardo   ao   castanho-escuro,   com veios e manchas também escuras. Uma das colorações mais encontradas é o castanho-escuro ou claro, com listras vermelhas ou pretas, formando bonitos matizes e desenhos. Natural de Santa Catarina e Paraná —   também   encontrada  em   São Paulo e Rio Grande do Sul —, tem porosidades em sua superfície, aceitando, por isso, verniz e tintas para o acabamento de móveis.

5)  Peroba, encontrada no sul da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Paraná, ç uma árvore esguia, chegando aos 30 metros de altura. A madeira tem uma cor que varia do rosa-amarelado ao amarelo-queimado,  com  veios  ou manchas vermelho-arroxeadas bem escuras. É de grande durabilidade, própria para móveis leves, revestimento   de   armários,   cómodas   e gavetas.

6)  Cedro, encontrada na Amazónia, sul da Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso e São Paulo, é de crescimento rápido e belíssima folhagem. Com a denominação cedro são conhecidas  diversas   madeiras.   O cedro, pertencente ao género Cedrela, recebe vários nomes no Brasil: cedro-vermelho, cedro-rosa, cedro-femea. É uma madeira leve, de cor variando do castanho-claro ao bege-rosado-escuro   e   ao   castanho-avermelhado.  Fácil de  ser trabalhada, também tem a vantagem de poder receber acabamentos como verniz  e  laqueação, entre outros. Por ser muito resistente é largamente empregada em estruturas de armários.
7)  Pau marfim,   encontrada   em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, é pesada e apresenta coloração uniforme em um bonito bege-amarelado. Apesar de escurecer com o tempo e ser bastante compacta, é fácil de ser trabalhada.

8)  Sucupira parda, de porte mediano, é encontrada no Amazonas, Pará, Bahia e Mato Grosso. Pesada, de cor variando do castanho-claro ao escuro, com várias listras, é um pouco difícil de ser trabalhada.

9)  Louro, ou louro-pardo, encontrada de São Paulo ao Rio Grande do Sul, apresenta um peso razoável, tem cor  amarelo-claro-pardo  e é fácil de ser trabalhada.

10)  Andiroba, alcançando até 30 metros, está presente  no  Pará e Amapá. De crescimento rápido, a madeira é moderadamente pesada, com uma coloração vermelha-escu-ra-brilhante. É durável, boa para ser trabalhada e apresenta a vantagem de não ser atacada por cupins.

11)  Mogno, encontrada na Amazónia, Mato Grosso e Acre, também é  conhecida por  aguano,  acajou américain e mahogany. De grande porte — alcançando 30 metros —, apresenta madeira macia ao tato e ao corte, além de não ser prejudicada pela umidade. Tem cor que varia  do   castanho amarelado   ao castanho-avermelhadoescuro.  Não racha e nem empena, tendo um perfume bastante agradável.

12)  Pau-ferro, nativa do Brasil, apresenta madeira muito resistente e pesada,   de   cor   vermelho-escura (quase preta) com manchas amareladas.

13)  Ipê, encontrada em todo o país, pertence à família das bigno-niáceas. Recebe nomes populares, de acordo com as flores que apresenta: ipê-amarelo, ipê-branco, ipê-preto ou ipê-roxo e ipê-tabaco. A variedade mais conhecida e apreciada é o ipê-amarelo, que apresenta madeira com coloração castanho-oliva ou   castanho-avermelhado  e listras mais escuras. É bastante rígida, de grande durabilidade e muito utilizada na fabricação de tacos de assoalho.

14)  Cerejeira, também conhecida como amburana, é razoavelmente pesada, com uma coloração bege-amarelada ou bege-rosada. É encontrada no sul da Bahia, Mato Grosso e Amazónia e tem cheiro bastante agradável que lembra um pouco a baunilha.

ETAPAS DA INDUSTRIALIZAÇÃO

Da árvore ao móvel, a madeira passa por uma série de processos de industrialização e beneficiamentos. A árvore é derrubada com cuidados especiais para evitar que sofra danos que possam diminuir o valor da madeira. No local da derrubada, copas e galhos são cortados e o tronco dividido em toras — levadas posteriormente às serrarias onde são classificadas de acordo com a qualidade, comprimento e diâmetro.

A madeira considerada de boa qualidade não pode apresentar rachaduras internas e nem estar em processo de apodrecimento. A seguir, as toras1 são secadas ao ar livre ou em estufas especiais, que também têm a finalidade de proteger a madeira contra eventual mofo ou apodrecimento.

Em algumas espécies, a umidade natural da madeira atinge índices muito elevados. A peroba, por exemplo, quando é abatida, apresenta um teor de umidade de aproximadamente 70%, que precisa ser reduzido até alcançar uma porcentagem máxima de 12 a 15% (nos casos em que a madeira não passa pelo processo de secagem, ela vai apresentar, mais tarde, rachaduras e empenamentos resultantes do encurtamento das fibras). Depois de seca, a madeira é submetida a tratamento com produtos químicos que evitam o ataque de fungos, cupins e outros parasitas destruidores. Além disso, essas aplicações fazem com que a madeira, mesmo em condições desfavoráveis, tenha uma durabilidade muito maior.

A MADEIRA NA DECORAÇÃO

Através dos tempos, o uso deste ou daquele tipo de madeira na decoração sempre foi determinado pela moda. Os móveis Luís XV, por exemplo, em geral, eram feitos de carvalho ou nogueira. Os Luís XVI eram fabricados com mogno. Nos móveis Maria I e manuelinos, portugueses, utilizou-se o jacarandá. O pau-marfim foi muito usado na década de 50, quando grande parte dos móveis seguia o estilo chamado “pé-de-palito”. A madeira utilizada em todos eles era maciça. Depois da descoberta de novos processos na fabricação de móveis

—  visando a melhor utilização e maior aproveitamento da madeira
—  passou-se a utilizar o compensado.

Formado de folhas finas (lâminas) de madeira, coladas umas às outras, ele é superior à madeira maciça quanto à resistência a choques e às condições de trabalho. Além disso, enquanto a madeira maciça pode   sofrer  deformações,  ocasionadas pela mudança de umidade no ambiente, a madeira compensada não empena e resiste muito bem a essas variações. Tendo o cedro como a matéria-prima mais utilizada, o compensado pode receber revestimentos os mais variados: desde uma simples pintura, verniz ou laqueação, até outras madeiras de lei como o jacarandá, cerejeira, imbuia, etc.

Por outro lado, a madeira aglomerada também é muito utilizada na fabricação de móveis. Ela é feita de cavacos — prensados e aglutinados por meio de resinas e colas especiais — de eucalipto, pinheiro, acácia-negra, etc. Depois de pronta, a placa é revestida com lâminas de madeira de lei, com 1 milímetro de espessura, aproximadamente. É um dos processos mais económicos que se conhece, porque utiliza madeira de baixo preço.

CONSERVAÇÃO DE MÓVEIS

Independente deste ou daquele tipo de móvel ou madeira utilizada em sua construção, sempre é bom procurar conservá-lo da melhor maneira possível. Alguns conselhos indicam as principais medidas a serem tomadas:

1)  A melhor forma de se conservar um móvel envernizado é passar, diariamente,   apenas   uma   flanela seca para retirar o pó e manter o brilho. De seis em seis meses, passar a flanela umedecida com azeite de oliva e álcool, retirando assim toda gordura e resíduos que possam prejudicar a peça.

2)  Móveis encerados devem ser limpos  com  flanela  seca,  diariamente, e quando estiverem sem brilho aplicar cera incolor e passar flanela seca para retirar o excesso.

3)    Quando   as   gavetas   empenam,  o  problema pode  ser facilmente  resolvido passando-se uma camada de parafina nas guias de deslizamento  e  depois  esfregando com flanela seca para que o produto se distribua com uniformidade.

4)    Quando a madeira utilizada em um móvel não é tratada adequadamente, começa a ser perfurada por insetos, o que pode ser percebido quando aparece uma serragem muito fina que se desprende da peça. Deve-se dar injeções de formol nos pequenos orifícios que aparecem e em seguida tapar esses buracos.

5) Nos casos em que a peça já está muito danificada por insetos, é preciso levá-la a uma marcenaria especializada: o móvel é mergulhado em uma solução com produtos químicos (na base de inseticidas) para, em seguida, ser colocado em uma estufa lacrada para completa esterilização. Depois de terminado o tratamento, a peça recebe novo revestimento, escolhido de acordo com o gosto de cada um: verniz, cera, laqueação, esmalte, etc.

Atualmente, alguns tipos de móveis, como mesa de jantar, são revestidos de um isolante chamado verniz de navio, que torna sua superfície impermeável à água. Um bom marceneiro pode fazer ou renovar esse revestimento e, conforme o tipo de madeira, aplicá-lo também em mesas de bar, carrinhos de chá ou outros móveis que estejam em contato com líquidos.

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