A influência que a tevê exerce nas crianças

A influência que a tevê exerce nas crianças
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Bom ou mal, é indiscutível que a TV tem um importante papel junto às crianças, que deve ser analisado sob seus mais variados ângulos.

Considerada o melhor meio de  comunicação do mundo moderno, a televisão, se recebe elogios, também costuma ser criticada sob vários aspectos. Talvez a principal acusação seja a de exercer forte influência sobre as crianças, prejudicando o seu desenvolvimento mental e até físico. As críticas mais frequentes são:

1)  Que   ela   é   responsável   por perturbações da vista e deformações ósseas.
2)  Que   as   crianças   perdem   o interesse pelo estudo, pela leitura e por exercícios ao ar livre, permanecendo durante horas diante do aparelho.
3)  Que as crianças, influenciadas pela propaganda, exigem uma série de produtos que nem sempre os pais podem   ou   elevem   dar,   seja  por impossibilidade econômica ou pela inutilidade do que é  apresentado. Sob esse aspecto, a acusação mais grave é de que a TV pode alterar os hábitos alimentares das crianças.
4)  Que dores de cabeça ou estômago,  náuseas  e enxaquecas  são consequências de filmes de horror e suspense, onde o clima de tensão é intenso e prolongado.
5)  Que a criatividade infantil fica prejudicada, ao mesmo tempo que a criança recebe lições de violência e agressividade e seu equilíbrio emocional é quebrado por entrar em contato  com  situações  que ultrapassam  muito sua capacidade de compreensão.
6) Que, para os mais exaltados, a TV cria graves problemas de comportamento, chegando mesmo a desencadear a delinquência juvenil.

ALGUMAS RESPOSTAS ÀS CRÍTICAS

Em vista de tantas acusações, foram realizadas pesquisas sobre o assunto que, analisadas, mostraram que a televisão não chega a ser tão nociva.
Em primeiro lugar, ela não causa perturbações orgânicas ou genéticas, por emitir radiações ionizantes: esses raios não têm o poder de ocasionar alterações no organismo. Quanto à má postura, constatou-se que muitas vezes provém de um pequeno defeito físico já existente, ou de maus hábitos. Nesses casos, é provável que a criança fique mal acomodada não só em frente ao aparelho, como na escola ou quando brinca. E, no que diz respeito aos possíveis danos que pode trazer à visão, estes são facilmente evitados desde que sejam respeitadas algumas regras:

1)  Não assistir televisão em locais muito escuros para não haver grande contraste entre o brilho da tela e o ambiente, o que é prejudicial. Deve sempre haver um foco de luz acima e por trás do espectador, de modo  a não refletir-se direta-mente no vídeo.
2)  Sintonizar    perfeitamente    o aparelho para que a imagem seja nítida e não sofra a mais leve distorção ou instabilidade.
3)  De vez em quando, fazer a criança olhar em volta, afastando sua vista do vídeo.
4)  Observar uma distância mínima de 3 metros entre o espectador e o aparelho.
5)  Evitar que a criança veja TV mais de uma hora seguida sem um intervalo   de,  pelo   menos,  quinze minutos.

De modo geral, estas mesmas regras devem ser observadas pelos adultos.
As pesquisas demonstraram que, na fase em que a criança ou o adolescente não sai da frente do aparelho, de nada adiantam repreensões do tipo “seria melhor se você praticasse um esporte ou estudasse mais”. Essa fase ocorre entre os 8 e 12 anos e é normal, diminuindo quando as atividades sociais com os amigos se intensificam. Mas, se ela se prolongar muito, ou se o interesse for exagerado, a ponto de a criança não querer fazer outra coisa a não ser ver televisão, é provável que exista algum problema psicológico levando-a a agir dessa maneira. Assim, se não existisse a TV, provavelmente a criança procuraria outras formas de fugir às obrigações.
Portanto, apesar da constatação de que crianças com baixo rendimento escolar dedicam grande parte de seu tempo à TV, é bem mais provável que isso aconteça porque a criança não gosta da escola, preferindo qualquer outra atividade. Se este for o caso, deve-se procurar a origem do problema e, ao mesmo tempo; proporcionar outras atividades à criança, como brincadeiras adequadas à sua idade, jogos ao ar livre, etc. Muitas vezes, ela só assiste TV por não ter mais nada a fazer, sentindo-se inútil e deslocada dentro de sua própria casa.

UMA BOA EDUCAÇÃO RESOLVE OS PROBLEMAS

Em alguns países as programações infantis procuram atender aos interesses de crianças das várias faixas de idade, inclusive com temas que ajudam a fixar e desenvolver o aprendizado escolar. Mas, na maior parte das vezes, o que predomina é a preocupação comercial, onde os pequenos espectadores são vistos apenas como consumidores em potencial. Chegada a hora da refeição, influenciada pelo que viu na TV, a criança pode recusar o suco natural de frutas, insistindo no suco artificial que uma garotinha simpática mostrou no anúncio. Em defesa da televisão, deve-se lembrar que esse tipo de influência não é característica da TV, mas da sociedade de consumo da qual ela é apenas o veículo mais eficiente. Uma educação firme e bem orientada é perfeitamente capaz de mostrar o caminho certo.
Também não existem provas de que a televisão, através de filmes de suspense ou terror, possa provocar alterações psicológicas em crianças sadias, assim como não há evidências de que uma criança naturalmente criativa se torne apática por causa da televisão. Nesse caso, não é raro acontecer justamente o contrário: ela procura informações em livros a respeito de algo que viu na TV e que despertou sua curiosidade, ou faz perguntas que revelam um nível de conhecimento e interesse capaz de surpreender os próprios pais.
Quanto à relação TV-delinquência juvenil, pode-se dizer que um adolescente equilibrado não sofre a influência da televisão a ponto de se tornar um ser anti-social. O que ela pode fazer é aumentar perturbações já existentes, estimulando atitudes criminosas em indivíduos seriamente desequilibrados. Portanto, mesmo sem a influência da TV, mais cedo ou mais tarde a criança ou o jovem acabariam recebendo estímulos equivalentes através de histórias em quadrinhos, filmes, jornais ou quaisquer outros veículos.
A violência na TV, analisada sob outro aspecto, pode ser considerada como tendo efeito benéfico, relaxante, porque a criança se identifica com o personagem violento e descarrega parte de sua agressividade na fantasia. Além disso, muitos educadores pensam que o indivíduo deve receber informações que lhe permitam enfrentar e compreender o mundo em que vive — onde, afinal, a violência é uma constante. Portanto, não é tão mau assim que entenda coisas como o uso de um revólver e suas consequências.

TV NO PAPEL DE BABÁ

Um dos inconvenientes da televisão é desempenhar o papel de babá, distraindo  a criança quando convém à mãe. A televisão deve divertir e informar, mas não substituir o carinho materno, o diálogo com os pais e irmãos, a programação educacional adequada que deve compreender esportes, convívio social, jogos de participação, etc.
A criança é naturalmente ativa, irrequieta, curiosa. Se tiver oportunidade de divertir-se longe da televisão, ela certamente vai aproveitá-la. É preciso que a mãe entenda isso e dê condições para que a criança se desenvolva na sua plenitude. Quantas vezes um filho é repreendido porque está correndo na sala de visitas ou porque convidou amiguinhos para brincar em casa e está fazendo muito barulho! Correr, gritar, mexer, tudo isso faz parte do desenvolvimento e, para que essas atividades se desenvolvam livremente, devem  ser  programadas  e permitidas pelos pais. Assim, toda criança deve ter um lugar onde possa correr e gritar tranquilamente sem que atrapalhe os adultos que convivem com ela. Se sua vida estiver suficientemente preenchida com outras atividades, será pouco provável que ela se interesse demais pela televisão.

COMO ESCOLHER OS PROGRAMAS

Criança sadia não é facilmente levada a aceitar ideias e valores que lhe são totalmente estranhos, mas sim aqueles para os quais está preparada. E, embora geralmente selecione programas à sua altura, às vezes pode encontrar-se diante de cenas capazes de causar-lhe impacto emocional. Pode acontecer também de só assistir filmes e programas estrangeiros, correndo o risco de assimilar padrões muito alheios a sua realidade, em detrimento de informações sobre o mundo que a cerca.
Para evitar que isso aconteça a solução é os pais escolherem os programas junto com os filhos, mas sempre levando em conta os seus interesses, lembrando que os pontos de vista de crianças e adultos não costumam coincidir. Uma vez feita a escolha, que deverá ser respeitada por toda a família, será fácil induzir a criança a desligar o aparelho, aceitar que os demais assistam a programas que lhe são proibidos ou ir para a cama sem reclamar. E, para que não se sinta excluída ou desconfiada de ter perdido algo interessante convém comentar perto dela os programas a que os adultos assistiam quando ela dormia.

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