Hábitos saudáveis na terceira idade

Saúde e Beleza
setembro 26, 2012

Até hoje, mesmo quando comemora o aniversário, perguntar a idade de uma senhora é, às vezes, uma atitude impertinente, de mau gosto. Além do constrangimento que a pergunta provoca, a resposta (no caso de “dona Isabel” não se esquivar e mudar rapidamente de assunto) fatalmente será falsa.

E por que falsa, uma vez que dona Isabel não se furtaria a responder honestamente a qualquer outro tipo de indagação? Acontece que, como tantas mulheres, dona Isabel está demonstrando o que se chama de “complexo de idade”.

“Quantos anos a senhora faz hoje, dona Isabel?”

O COSTUME DE ESCONDER A IDADE

Quando, no século passado, o escritor francês Honoré de Balzac escreveu o romance A Mulher de Trinta Anos, exaltando o charme feminino entre os trinta e os quarenta anos de idade, operou-se uma verdadeira revolução no conceito que até então se fazia das mulheres que atingiam e ultrapassavam essa idade.

Nessa época, a mulher, na casa dos trinta, era tratada com o respeito e a veneração dignos de uma matrona. Seria talvez “desrespeitá-la” procurar nela os encantos da juventude. Se, nessa idade, a moça ainda não tivesse arranjado casamento, passavam a tratá-la sob o título pejorativo de “solteirona” e suas reais possibilidades de casar-se diminuíam muito. E pobre dela se, casada ou solteira, tentasse manter as atitudes que, na adolescência, não só eram toleradas, como ainda desejadas; ela passaria fatalmente a ser vista com desprezo e mesmo escárnio. Assim, o resultado lógico e natural de toda essa situação é que as mulheres passaram a temer a chegada do fim da juventude e a ocultar sua verdadeira idade na esperança, talvez, de prolongar ainda um pouco mais os chamados “anos verdes”.

Nos dias de hoje, um dos fatores que mais contribuíram para a permanência desse medo à meia-idade é o mito da valorização da juventude que a propaganda faz questão de ressaltar, embora esse mito não seja, de nenhuma forma, uma criação original do século XX: Fausto, na obra imortal de Goethe, vendeu sua alma ao diabo para que este lhe devolvesse alguns anos de sua perdida juventude.

Mas, ao lado desse mito, nas sociedades antigas, o dono da verdade era o ancião, e a velhice era sinónimo de sabedoria. Só a palavra dos mais velhos era respeitada e tinha valor; o jovem, mesmo que apresentasse uma ideia original, era sempre relegado à condição de inexperiente, e sua opinião desprezada. Ao pé do fogo, ainda nas sociedades sem escrita, sentavam-se todos para “beber” a sabedoria que fluía dos lábios do velho patriarca.

A partir do fim do século passado, o progresso das técnicas de ensino, aliado à necessidade de maior número de profissionais capazes, possibilitou que o saber fosse transmitido mais rapidamente aos jovens, sem que tivessem de esperar os cabelos brancos e a experiência e respeitabilidade que estes representam. Hoje, a se acreditar nas investidas publicitárias, principalmente da televisão, só as ideias “jovens” têm valor, só a moda “jovem” tem beleza e a própria beleza é apresentada como monopólio da juventude: é como se o direito de viver fosse só deles.

Muitas mulheres ainda se deixam levar por esse tipo de preconceito e o passar dos anos é, para elas, uma tortura. A perda da juventude torna-se sinónimo do fim das alegrias e dos prazeres que são a própria razão de viver. Muitas mulheres, ao ultrapassar a casa dos trinta, tornam-se ciumentas de seus maridos, armando uma “cena” cada vez que passa por perto uma moça mais jovem. Outras atiram-se obsessivamente a tratamentos de beleza e a dietas exageradas e há ainda aquelas que se entregam a um fatalismo completo, sobrevivendo apenas de devaneios e recordações de momentos felizes. E, por último, há aquela pequena minoria que se recusa a envelhecer e tenta apresentar a euforia e o entusiasmo da adolescência, vestindo-se e comportando-se como se, para ela, o tempo tivesse parado.

AS VANTAGENS DA MEIA-IDADE

Felizmente, porém, a maioria das mulheres modernas, atingindo e ultrapassando os trinta anos, continua uma vida produtiva, dando um sentido mais amplo à existência e desenvolvendo sua personalidade através de interesses vários, de vivências sadias, quer executando trabalhos interessantes, quer aprimorando sua cultura. Essas mulheres, sim, recusaram-se a envelhecer. Permanecem psicologicamente jovens, cheias de entusiasmo e dinamismo, confiando em si próprias, em sua capacidade em relação à vida e ao trabalho e na importância real que seu papel tem para a sociedade.

Para essas mulheres, todas as fases da vida têm seu sabor especial e, sem dúvida, elas souberam viver bem a mocidade e saberão envelhecer úteis e felizes.

É verdade que o passar dos anos leva consigo o vigor da juventude. Entretanto, a vida sadia, os esportes e os cuidados físicos em geral mantêm a resistência física, a flexibilidade e o vigor do organismo. Muitas senhoras que não se esqueceram disso apresentam um dinamismo e uma aparência física que faz inveja a muita jovem “moleiro-na”, relaxada, desanimada, preguiçosa e inativa.

Com a meia-idade, a mulher fica efetivamente mais desobrigada dos filhos e não tem mais de lutar tanto pela estabilidade financeira como nos primeiros tempos do casamento. Nesse ponto, então, resta-lhe muito tempo e sobram-lhe condições e experiências para assumir novas posições. A partir dos trinta até os 45 anos, as pessoas encontram-se no ápice de sua capacidade física e intelectual e já atingiram um grau de maturidade que lhes permite a plena realização. Não há, pois, motivo para acreditar que acabou a mocidade e começou a velhice; a verdade é que acabou a fase de aprendizado e a atuação deve começar. Agora é o tempo de começar realmente a viver.

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