Filho único, vantagem ou desvantagem?

Educação
agosto 18, 2015

Muitos psicólogos não aceitam a ideia de casais que desejam ter um só filho, pois acreditam que ele sofrerá uma série de desvantagens em relação às outras crianças, como, por exemplo, despreparo para enfrentar novas situações sozinhos.
Alguns pais, porém, justificam a presença do filho único, argumentando que ele disporá de melhores condições materiais e maiores oportunidades para uma educação adequada.

COMO SURGE A SUPERPROTEÇÃO

Na verdade, os motivos apresentados pelos pais em manter apenas uma criança podem ser outros. Um casal, por exemplo, que perdeu um de seus dois filhos, ou que por motivos de saúde não pode mais “aumentar” a família, tende a ficar com um só filho. Outras vezes, a criança nasce depois de muitos anos de frustradas tentativas da mulher em dar à luz, simbolizando para os pais uma espécie de prêmio, que deve receber, em troca, uma dose excessiva de mimos e agrados. Em consequência das situações criadas em cada caso, a criança poderá ser superprotegida (talvez por medo inconsciente ou consciente dos pais de perdê-la) e crescerá com a impressão de que sua casa é o único lugar do mundo realmente seguro. E em qualquer outra situação ela se sentirá fraca e indefesa, como se necessitasse da proteção de uma redoma de vidro.

Nesses casos, a ansiedade dos pais leva a uma exagerada preocupação com o filho único. Procuram vigiá-lo constantemente acabando por privá-lo de experiências importantes para seu aprendizado.

As atitudes dos pais em relação ao filho único devem ser, por isso, bem orientadas antes de colocadas em prática. A superproteção poderá resultar — quando a criança estiver em idade escolar — na incapacidade de enfrentar competição, no desinteresse em explorar novas situações por medo de defrontar-se com problemas, exprimir ideias e sentimentos, necessidade de atenção exagerada. Ela vai perceber que fora do lar não é considerada indefesa e frágil e muito menos terá a mão tudo o que quer; além disso, terá que compartilhar com os colegas, dividir, esperar a vez, o atendimento que antes era só dela.

A conquista da simpatia dos colegas e professores dependerá de seus próprios méritos e não mais do simples fato dela existir, como ocorria em sua casa.

No caso da criança criada com outros irmãos, a dedicação e o carinho da mãe são divididos entre todos.

E as atitudes dos pais (algumas vezes tomadas inconscientemente, como, por exemplo, “Joãozinho, vista-se sozinho enquanto dou banho no nené”) estimulam o desenvolvimento da criança, fazendo com que ela sinta, aos poucos, a necessidade de ser auto-suficiente e de aceitar o outro.

O PEQUENO ADULTO

Outro argumento que vai contra o filho único é o de que ele não tem infância normal. Na realidade, convivendo grande parte de seu tempo entre adultos, automaticamente procura imitá-los em suas atitudes, deixando de sentir as emoções próprias da infância. Por outro lado, crianças que brincam juntas têm imaginação para inventar novas distrações, desenvolvendo a inteligência normalmente. Os psicólogos aconselham, por exemplo, as brincadeiras do “faz de conta”, que estimulam o desembaraço mental da criança. Nessa atividade,. dificilmente um adulto será bom parceiro. Mesmo que se esforce em ser natural, certamente não reagirá num nível infantil. Assim sendo, deve-se permitir à criança o hábito de brincar com seus amiguinhos da mesma idade. Do contrário, sua capacidade de externar sentimentos e necessidades também ficará bloqueada e talvez não consiga se relacionar bem com os companheiros.

Além dos jogos e brincadeiras, uma série de outras experiências deveriam  fazer  parte  da vida da criança. Uma delas, por exemplo, é a chegada de um irmãozinho, que dá oportunidade de acompanhar as mudanças do corpo da mãe e fazer as tradicionais perguntas quando o bebé chega: “De onde ele veio?” ou “como nasceu?” Por outro lado, faltam ao filho único ocasiões naturais para as conversas e descobertas do outro sexo, experiência bastante comum nas famílias com filhos e filhas.

Isso tudo poderá alterar seu desenvolvimento, transformando-o num homem solitário, dependente, incapaz de enfrentar situações novas e competitivas.

O QUE FAZER

Na verdade, está nas mãos dos pais o êxito na educação do filho, seja ele único ou não. Pais com bom preparo psicológico terão plenas condições de orientar os filhos sem os exageros de controle ou de liberdade, da mesma forma que os pais imaturos e superprotetores prejudicarão quantos filhos tiverem.

Na educação do filho único é importante considerá-lo como uma criança normal que deverá ser tratada com a mesma naturalidade que qualquer outra criança, com os mesmos deveres e vantagens. Colocar a criança desde cedo em uma escola maternal, permitindo sua participação em passeios e excursões é uma ótima oportunidade para ela aprender a conviver com outras crianças dividindo e compartilhando a atenção dos adultos.

Deixá-la aceitar convites de primos ou parentes para passar fins-de-semana fora de casa, ao mesmo tempo que pode convidar os amiguinhos para virem a sua casa, também ajuda sua socialização e aprendizado de novas situações.

O convívio com os vizinhos, mesmo que volte machucado para casa, é rico em experiências. Esses ferimentos ocasionais devem ser recebidos com a maior naturalidade pelos pais. Nada de “coitadinho”, “meu querido, o que fizeram com você?”, etc, medidas que só prejudicam a criança que acaba acreditando ser ela o centro do universo e, portanto, digna de ser tratada como um verdadeiro “reizinho”.

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