Dicas para ajudar crianças com problemas de escola

Dicas para ajudar crianças com problemas de escola
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Muitas vezes, a criança faz um verdadeiro drama na hora de ir para a escola: chora, esperneia, grita. Outras, inventa desculpas como dor de barriga, sono, “a professora não gosta de mim”, “tem um menino que me bate”, etc. Quando maior, falta às aulas, ou manifesta sua contrariedade desinteressando-se de aprender e participar das atividades da classe. É hostil aos professores e agressiva com os colegas.

Essa resistência à escola pode ser transitória, fácil de resolver, mas também pode tratar-se de um problema mais sério, em que a criança precisa ser ajudada para superar suas dificuldades.

UNIVERSO DOMÉSTICO

Como em qualquer situação, tudo depende de um bom começo. Por mais que a criança tenha ouvido falar no assunto, entrar na escola é para ela uma autêntica aventura. E não é difícil compreender que a vontade de descobrir esse novo mundo seja acompanhada por um certo receio. Além disso, é preciso lembrar que nem todas as descobertas são totalmente agradáveis ou fáceis de aceitar.

Na verdade, a criança sabe que, no universo doméstico, seu lugar ao sol está garantido. Conta com o carinho da família, sente que para os pais é insubstituível, bonitinha e espertinha. A escola representa, assim, uma brusca mudança e a constatação de uma realidade não imaginada: todos os seus colegas também são bonitinhos, espertinhos e engraçadinhos. Diante de novidades como estas, provavelmente a criança se sentirá insegura e até desejará voltar para casa, desde que algum incidente desagradável aconteça com ela: levar um tombo ou beliscão e ser, por isso, motivo de risos e zombaria dos colegas.

Realmente, este é um período difícil, mas a criança tende a assimilar e aceitar as novas regras. Aos poucos, ela vai compreender, por exemplo, que a professora tem de dar atenção a todos, há direitos e deveres comuns, deve respeitar o trabalho dos outros e fazer concessões para conquistar a simpatia geral.

FRANCA REGRESSÃO

No entanto, algumas vezes, é difícil para a criança superar esta fase. Um filho único, por exemplo, pode custar a aceitar que seus colegas desempenhem certas tarefas mais rápido que ele. Por outro lado, por conviver muito tempo com adultos, é provável que não se habitue logo a lidar com pessoas de sua idade.

Em algumas crianças, o problema é acompanhado por franca regressão: voltam a urinar na cama, a falar errado, pedem chupeta e até mamadeira. Embora pareça errado entrar no “jogo” da criança, muitas vezes isso costuma dar bons resultados. Assim, a mãe tem de providenciar que a alimentação, vestuário, horários de sono, etc. sejam iguais aos de um bebe. Ao mesmo tempo, acena discretamente com uma ou outra vantagem que terá “quando crescer”. Por exemplo: “Vou guardar sua caixa de lápis para quando você for à escola” ou valorizar o que as outras crianças fazem na escola: “Sérgio fez um desenho lindo, você viu?” O resultado mais frequente é a criança cansar logo da vida de bebê e mudar de atitude. Com isso, os pais devem aplaudir os progressos: “Muito bem, você hoje não molhou a cama, está ficando grande”. E em pouco tempo a criança estará pronta para as atividades próprias de sua idade, inclusive as escolares.

CAUSAS DO PROBLEMA

Outras vezes, entretanto, o problema exige a ajuda de médicos ou psicólogos para ser resolvido. São exemplos disso:

1)  Uma criança que começa o ano entusiasmada para, logo depois, se recusar a ir às aulas porque os colegas  a chamam de burra.  Ela vive perguntando, pedindo ajuda da professora e parece não entender nada direito. Diante disso, não vale a pena repreendê-la, fazer exigências como mandá-la estudar mais ou prestar muita atenção. O que se deve fazer, sim, é localizar as causas de sua deficiência.

2)   Crianças  lentas,  com  rendimento   escolar   pouco   abaixo   da média, pouca imaginação ou deficiências de percepção. Estas últimas encontram dificuldades para lidar com símbolos e abstrações e se atrapalham muito na hora de aprender a ler e escrever, mas podem corrigir e superar suas deficiências. As outras dificuldades   exigem   classes   especiais onde as crianças aprenderão o que estiver a seu alcance.

3)  Criança que ouve ou enxerga mal demora a aprender porque os sentidos captam as informações com mais lentidão. E ela não percebe sua falha porque não sabe que é possível ver ou ouvir melhor.

4)  Quando a aversão pela escola é persistente e não parece ser resultado de problemas orgânicos (quando acompanhada de vômitos, diarreia,    dor    de    cabeça,    insônia, mutismo),  certamente se trata da chamada fobia escolar: mesmo que a criança não exprima seu medo em palavras, entra em pânico na hora de ir para a escola, embora conscientemente deseje ir. Essa aversão à escola pode ocorrer em diferentes períodos da vida escolar e, em geral, vem acompanhada por outros temores: medo de frequentar a casa de amigos ou parentes, de se afastar dos pais, receio de animais e estranhos.

5) A gagueira é outra manifestação emocional que costuma aparecer na criança quando entra na escola. Regra geral, deve-se manter a calma e ouvir pacientemente o que diz, sem nunca tentar imitá-la ou ridicularizá-la. Se for difícil para a família contornar o problema, deve procurar a ajuda de um psicólogo ou fonoaudiólogo.

AS MELHORES ATITUDES




De um modo geral, as crianças que já frequentaram o maternal ou jardim da infância estão mais preparadas para enfrentar o primário e, assim, começarem a aprender as primeiras letras. No entanto, como a tendência atual é começar cedo, a criança de 6 ou 7 anos que nunca foi à escola não vê a hora de ser igual à maioria dos amiguinhos. Sua curiosidade e vontade de aprender ajudam a superar os primeiros obstáculos. Mas, como nessa fase os novos problemas a serem enfrentados podem tornar a criança inimiga da escola, as atitudes e o relacionamento pais-criança devem ser os melhores possíveis. Alguns exemplos ilustram bem o problema:

1)   Comentários como “você já está um homem,  a escola não é brincadeira”, ou “agora sim, você vai estudar de verdade” devem ser evitados, pois criam uma certa tensão ante a perspectiva da responsabilidade. Além disso, a criança começa   a   achar   que   os   estudos representam um problema de difícil solução, que requer esforço acima de suas possibilidades.

2) Comentar que a escola pesa no orçamento doméstico também pode prejudicar a disposição da criança em relação à escola. É comum os pais “cobrarem” o sacrifício para educar o filho, sem perceber que, com isso, ele acabará sentindo-se culpado por eventuais privações da família. E como compensação poderá voltar-se contra a escola.

3)  Frequentar uma escola onde a maioria dos colegas tem nível econômico mais elevado faz a criança sentir-se — e ser considerada — muito   diferente   das   demais.   Por isso, deve-se sempre procurar escolas onde a maior parte dos alunos tenha padrão  de vida semelhante àquele a que se está habituado.

4) Além de toda a preparação que deve ser feita antes de colocar o filho na escola (mostrando-lhe todas as vantagens que pode tirar disso, como   aprender   a  ler,  escrever  e fazer novos  amiguinhos), os  pais não  devem  demonstrar preocupação, evitando pensar que a criança vai ficar longe de casa, “sozinha” o dia inteiro. Para ela, isso poderá significar que realmente há algo errado com a escola.

5)     Comentários    como    “não aguento   mais   esse   menino,   vou colocá-lo na escola o ano que vem” ou “não tenho um minuto de sossego, não vejo a hora de esse menino ir para a escola” não devem ser feitos em hipótese nenhuma. Para a criança, a escola vai passar a ser uma espécie de castigo pelo qual nunca irá querer passar.

6)   Uma  forma  de   diminuir   a ansiedade da criança é convencê-la de que nada vai sumir na sua ausência.   A   mãe,  por  exemplo,   pode dizer-lhe   que,   enquanto   está   na escola, vai trabalhar, fazer compras, visitar uma amiga, etc. Ou, melhor ainda, desenhar essas atividades em um papel para que a criança leve para a escola, fazer planos com ela para depois da aula. No entanto, o mais importante é estar em casa quando ela sair e voltar da escola.

7) É importantíssimo demonstrar interesse pelo que o filho diz da escola e pelo, trabalho que traz para fazer em casa. Entretanto, não se deve “bombardear” a criança com perguntas,    revistá-la   diariamente para verificar se não está machucada ou arranhada. Isso tudo é sinal de preocupação e desconfiança em relação  à escola e faz a criança achar   que   está   correndo   algum perigo.

8)  Permitir que a criança chame os colegas para casa, que leve seu bolo de aniversário à escola, não só estimula   sua  sociabilidade,   como também mostra que a escola é a continuação do lar.

9)  Um detalhe muito importante: a  qualquer  sinal  de  descontentamento da criança em relação à escola, o melhor caminho é dizer-lhe que seus pais e irmãos mais velhos também passaram por momentos semelhantes e que alguns problemas são normais.

10)  Conversar com a professora para saber como motivar a criança.

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