Como encontrar sua força interior

Como encontrar sua força interior
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No nosso pequeno planeta, andamos admirados, temerosos ou orgulhosos com nossas conquistas tec­nológicas. Realmente, de algumas décadas para cá, a rapidez, a quantidade, a diversificação e a sofistica­ção das novas invenções demonstram o grande po­tencial da capacidade humana.

Nossos processos de fabricação permitem cons­truir desde imensas turbinas para usinas hidrelétricas até minúsculos componentes eletrônicos. Do imenso ao ínfimo existe a possibilidade de construir uma gama infindável de bens materiais.

 

Temos condição de criar com plástico, polieti­leno, borracha sintética ou qualquer outro material uma semente artificial idêntica a qualquer outra na­tural. Podemos, por exemplo, criar uma semente de milho artificial com a textura, cor, tamanho, odor, sabor e demais elementos químico-físicos extrema­mente semelhantes à semente natural. E podemos preparar um excelente solo para plantá-la. Mas não podemos fazê-la germinar!

Falta um pequeno detalhe nessa semente. Ener­gia vital, ou em outras palavras, a força interior que deflagre e comande o seu ciclo vegetativo.

Essa força interior que dá vida aos seres orgâ­nicos provém de alguma fonte desconhecida do cosmos e, ao deixar os seus veículos de manifestação, provoca a desagregação da matéria. Para onde vai essa força e se volta para animar outros seres vivos, fica por conta dos insondáveis mistérios da natureza.

Essa energia vital que anima o ser humano cos­tuma ser chamada de alma ou espírito. Não importa, no momento, o que dizem as religiões sobre isso. Cada uma tem as suas concepções ou seus dogmas a respeito da origem e do destino das almas, e convém respeitarmos as convicções tão caras às pessoas que professam esta ou aquela religião. O próprio termo “religião” quer dizer “religar”, isto é, religar a cria­tura ao criador. E cada grupo religioso tem a sua maneira peculiar de buscar essa religação. Cabe a nós um profundo respeito pela maneira como cada qual processa essa busca, ainda que ela seja diferente da nossa.

Essa força interior que habita o nosso corpo tem as suas formas de manifestação. É sempre a mes­ma energia vital, mas se expressa a nossa ação corpo­ral é chamada de energia física; se expressa nossa se­xualidade é chamada de energia sexual; se expressa nossos pensamentos é energia mental; se expressa nossos sentimentos é energia afetiva e assim por diante.

Agora, por gentileza, leia com bastante atenção a frase que se segue:

“Não são as coisas, os fatos, as pessoas que têm o poder de alterar o nosso estado de espírito; somos nós que emprestamos nossa força interior para ser­mos alterados pelas coisas, fatos ou pessoas”.

Suponhamos a situação em que alguém está ten­tando se concentrar no seu estudo e uma porta à sua frente, empurrada de leve pelo vento, vai e volta insistentemente, fazendo barulho ao chocar-se contra o batente.

Determinada pessoa pode levantar-se furiosa­mente, vociferar dois ou três palavrões daqueles de arrepiar puritanos, fechar a porta daquele jeito que estremece a casa toda e derruba até o reboco em volta do batente.

Outra pessoa, também incomodada por aquele bater insistente, levanta-se com calma, aciona o trin­co da porta e a fecha tranquilamente para que não bata mais.

Veja, a porta não tinha o poder de alterar as pessoas, tanto assim que as reações foram diferentes diante da mesma coisa.

Imaginemos agora a situação em que, numa ci­dade qualquer, a passagem do ônibus urbano seja de nove cruzados e oitenta centavos. O passageiro dá dez cruzados e o cobrador alega não ter troco no mo­mento; e o faz com aquela cara de mau humor de quem já sacolejou horas dentro do veículo.

Dependendo do passageiro, está armada uma confusão para hipertenso nenhum botar defeito. Co­brador e passageiro podem trocar toda sorte de im­propérios ou ser sutis como dois cavalos escoicean­do a cocheira.

Outro passageiro, na mesma situação, e achando que vinte centavos não compensariam uma briga cheia de ácidos estomacais, mantém a calma e diz em tom de brincadeira para o cobrador guardar o troco para o enxoval, ou para, simplesmente, descontar aquele valor na sua próxima passagem.

Veja, o cobrador mal-humorado não tinha o po­der de alterar os passageiros, tanto assim que estes reagiram diferentemente em relação à sua pessoa.

Vamos supor agora um violento acidente de trânsito com vítima machucada e caída no asfalto.

Uma pessoa despreparada que presencie aquele fato poderá sentir enjoo, tremedeiras, tonturas e ser incapaz de acudir a vítima ensanguentada. Se puder, chamará alguém para tomar as primeiras providências que ela não conseguiu tomar, em face do seu estado mental de pânico.

Um médico chegará ao local, recolherá o aci­dentado numa ambulância e, enquanto se dirige para o hospital, irá medicando a vítima com a mesma efi­ciência e tranquilidade com que um bom marceneiro trabalha na feitura de um armário.

Veja, não é aquele fato caracterizado pelo desas­tre que tem o poder de alterar as pessoas, mas as pessoas é que se deixam impressionar por ele. Tanto é assim que o mesmo fato não alterou o médico.

Naturalmente que o médico se preparou para so­correr pessoas em estado grave sem se deixar im­pressionar por isso. O mesmo não acontece com uma pessoa despreparada, que poderá perder o controle para agir adequadamente.

Preparar-se, eis a questão!

Tal como os estudantes de medicina, ou como tantos outros estudantes de outras áreas, se preparam para enfrentar as contingências das próprias profis­sões, nós também podemos nos preparar na escola da vida para não malbaratar nossas forças desarvoradamente.

Portas, cobradores e desastres são apenas três exemplos entre os milhares que ocorrem no dia-a-dia das pessoas.

E o pior é que como estudantes da escola da vida não temos férias. A aprovação não depende de professores, e não existe nenhum diploma que ponha fim à fase de aluno. Teremos que aprender sempre!

Portanto, a lição de controlar o fluxo da nossa força interior não se aprende em um dia, mas ao longo do tempo, paulatinamente. E se temos sido alu­nos muito relapsos, maior deverá ser o nosso esforço, porém maior será a alegria da autorrealização contí­nua. Nenhum professor nos dará nota por isso, mas estaremos sendo aprovados pela própria consciência, e, creia, não existe professor mais rigoroso do que ela.

Entretanto, aprender a controlar a saída da energia vital não equivale a se tornar frio, insensível, incapaz de se emocionar. É apenas uma questão de direcionar essa força interior para aquilo que realmen­te mereça isso. A energia continuará a fluir natural­mente, mas é bom estar ciente de que o controle é nosso, que a energia existe em nós e não nas coisas, pessoas ou fatos.

Cientes dessa verdade poderemos pouco a pou­co ir direcionando a nossa energia de tal modo que ela atue a nosso favor e não contra nós. Aquilo que parece nos alterar ou dominar assim é porque esta­mos lhe emprestando força demasiada para atuar so­bre nós. Direcionando melhor o fluxo da energia, haverá menos desgaste com emoções que neurotizam, aborrecem, entristecem, encolerizam, enfim, senti­mentos negativos que tiram o prazer de viver. Con­sequentemente, sobrará mais energia para empregar nas emoções que alegram, enlevam, enternecem, equilibram, embelezam o ato de viver.

É com a gente mesmo que passamos vinte e quatro horas por dia, ninguém viverá essas horas por nós. Então porque conviver constantemente com uma pessoa neurótica, deprimida, irada, estressada ou chata? Não valerá a pena algum esforço para sermos melhor companhia para nós próprios?

E você? Quer aprender a Viver Melhor Agora

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