Como encontrar a felicidade num relacionamento

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fevereiro 15, 2017

Atualmente, com a maior liberdade que as pessoas têm para escolher com quem partilhar a vida, devia-se esperar um número bem menor de casamentos fracassados do que no tempo da vovó, quando nem sempre a escolha era livre. No entanto, isso não acontece. São muitos os exemplos de casamentos infelizes, numa flagrante demonstração de que algo anda errado.

Em geral, os casais que não encontraram a felicidade no casamento acabam se culpando mutuamente ou colocando o fracasso como resultado de causas externas. São comuns observações como “meu marido não era assim. Ele mudou muito desde que nos conhecemos” e “minha mulher já não é tão carinhosa como no tempo de noivado. Acho que minha sogra anda atrapalhando nosso casamento”. Raras são as pessoas capazes de compreender — e admitir — que o fracasso se deve a elas mesmas.

Na verdade, ao contrário do que muitos pensam, casamento feliz não é obra do acaso. Depende da escolha certa do companheiro e, também, da maneira de viver com ele, participando de suas atividades, interesses e aspirações. Culpar o destino é muito mais cômodo do que admitir que nenhum ato ou decisão permanece isolado, colocado fora da vida em comum. Uma atitude tomada está sempre condicionada a posições assumidas no passado e, inevitavelmente, irá influir nas decisões e acontecimentos futuros. Vários passos — ou mesmo um só — dados na direção errada podem representar o início de uma caminhada lamentável, difícil de ser modificada. Isso, em todos os campos. Assim, ao se escolher alguém para uma vida em comum, de certa forma já se está definindo o rumo que a união irá tomar.

O QUE DEVE SER EVITADO

Não existem garantias contra a infelicidade, mas há vários caminhos que convém evitar, pois quase sempre conduzem a ela. Basear a escolha em modelos pré-fabricados ou alheios é um deles. O rapaz que se casa com uma mulher só porque ela é parecida com sua atriz de cinema favorita, talvez esteja condenado a passar o resto da vida ao lado de uma linda figura, mas de personalidade insuportável.

De outra forma, a mulher que se casa com um homem porque ele tem muitas coisas em comum com o marido de uma amiga, “muito bem casada”, possivelmente estará escolhendo mal: felicidade não se copia — o que serve para a outra, pode não servir para ela.

Muitas escolhas, que um observador imparcial consideraria absurdas, às vezes são feitas porque o casal se deixou levar por sentimentos que costumam ser definidos como “amor à primeira vista”, “impulso irresistível” e coisas semelhantes. A pessoa “perdidamente apaixonada” tende a supervalorizar as qualidades do parceiro, ignorando seus defeitos. E, mesmo quando o lado negativo é visto, não costuma ser levado em conta. O indivíduo, envolvido pela paixão, acredita que o amor é capaz de resolver todos os problemas. Depois, com o passar do tempo e a vida em comum, a paixão desaparece e a personalidade do companheiro se mostra como realmente é. Então, seus defeitos podem parecer insuportáveis, e a união acaba por fracassar.

Outro erro é encarar o casamento como um fim. Depois de consumado, pouco ou nada se faz para preservá-lo: afinal, a meta já foi atingida. Da mesma forma, usar o casamento como um meio de fugir ao ambiente familiar, de alcançar segurança econômica ou uma situação privilegiada na sociedade ou na profissão — método muito empregado por mulheres, embora os homens também se utilizem dele — geralmente não dá bons resultados.

Em qualquer destes casos, como não houve realmente uma escolha, depois do casamento pode-se descobrir falhas de caráter que tornem o convívio insuportável. E o casal se sentirá obrigado a viver lado a lado com resignação. Aceitar um casamento desse tipo é se desvalorizar. E a pessoa que age dessa forma não pode esperar ser respeitada. Ao contrário, a convivência íntima só fará piorar a situação.

ASPECTOS PSICOLÓGICOS

De acordo com a psicologia, o indivíduo procura para companheiro alguém que seja o reflexo da sua própria imagem interior. Assim, seres psiquicamente sadios escolhem bem, porque são o que são, consciente e inconscientemente. Neles, a personalidade total participa da escolha e a margem de erro é mínima.

Pessoas que apresentam uma imagem interior torturada, deformada, completamente diferente da exterior, sufocam a imagem real no inconsciente, como um mecanismo de defesa. Na hora da escolha, perdidas em contradições e conflitos psíquicos não resolvidos, acabam optando por alguém que seja o reflexo de sua imagem interior. Um casamento desse tipo tem todas as chances de fracassar, pois a personalidade consciente de um estará constantemente em atrito com sua própria personalidade inconsciente, refletida no outro. Um exemplo disso é o caso de uma moça educada por padrões rígidos, marcados por proibições e repressão sexual. Depois de adulta, nega esses princípios e se dispõe a procurar um companheiro conforme suas convicções. No entanto, no momento da opção, sente-se inexplicavelmente atraída por um homem inibido, indiferente ao sexo. Inconscientemente, a escolha corresponde aos padrões que os pais lhe impuseram na infância e não ao que acredita ser certo. Casada, enfrentará uma série de problemas que não serão fáceis de solucionar sem a ajuda de um psicólogo.

COMO FAZER ESCOLHA CERTA

Está comprovado que uma personalidade formada não muda radicalmente num curto período de tempo. Assim, é sempre possível saber, com antecedência, o tipo de pessoa que se está escolhendo para uma vida a dois. O período de namoro é ótimo para isso. Basta observar e analisar certos indícios, como risadas que soam falsas, gestos estudados, frases feitas, gentilezas em excesso ou demasiado raras e esquecimentos, pois eles podem revelar o que há por trás de uma personalidade aparentemente agradável. Quem escolhe mal sempre arca com as consequências de sua escolha: ou o casamento se desfaz, ou são feitas concessões em benefício de uma harmonia que, na maioria das vezes, é só aparente. Uma solução melhor poderia vir do atendimento psicológico ao casal que, percebendo suas falhas, expectativas mútuas e desencontros, teria oportunidade de reformular seu relacionamento.

Não é possível estabelecer fórmulas para uma boa escolha. Ela depende do que se tem a dar e do que se pretende receber no casamento, coisas muito subjetivas. Mas, certamente, amor, estima, respeito, confiança, afinidades e atração sexual são elementos indispensáveis para uma decisão acertada. Se não existirem antes do casamento, dificilmente poderão surgir depois. E o mais importante: ter plena consciência de si mesmo, reconhecendo seus próprios defeitos e qualidades. Só quem se conhece pode saber que espécie de companheiro pretende e em que consiste a felicidade que procura.

E, naturalmente, é preciso considerar que as pessoas mudam com a idade: um jovem idealista e ambicioso, uma mocinha gentil e sonhadora se transformarão quando adultos. Mas nada atrapalhará o casamento se a renovação for tanto do marido quanto da mulher.

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