Como cruzar cachorros para ter lindos filhotes

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fevereiro 15, 2017

Dois meses depois do cruzamento, nascem os cãezinhos. Antes, durante e depois do parto, são necessárias algumas providências para que tudo corra bem.

Ao contrário, do que acontece entre os homens, o período de infância dos animais é bastante curto. As cadelas, por exemplo, atingem sua plena capacidade de reprodução entre seis e dez meses após o nascimento. Uma cadela com essa idade é sexualmente madura, e isso pode ser notado com facilidade: basta observar seu comportamento durante o primeiro cio.

O cio é a única época fértil para a reprodução dos cães, e se repete a intervalos regulares de seis meses. No Brasil, ele se dá no início e no meio de cada ano. Quando a cadela entra no cio, toma-se quieta e sem apetite, e seu corpo passa por várias transformações. A vulva fica mais desenvolvida, e durante oito a dez dias ocorre uma leve hemorragia. Assim que termina esse corrimento, a cadela fica fértil durante cerca de uma semana. Após esse período, ela passa a rejeitar o macho, sinal de que o cio chegou ao fim.

Na realidade, o cio tem duas fases distintas. Na primeira, chamada de proestro, a vulva dilata-se e surge o corrimento. A segunda fase, chamada estro, é o cio propriamente dito. Inicia-se com a ovulação, encerrando-se alguns dias depois. Durante esta fase a cadela deverá ser confinada, do contrário correrá o risco de engravidar, cruzando com um ou com vários cachorros.
Já para quem está interessado em obter filhotes de determinado tipo, o cruzamento deve ser estudado e planejado cuidadosamente. Os criadores de cães analisam as características individuais dos cães e também a de suas famílias. Fixadas as metas, realizam-se cruzamentos sucessivos até atingi-las. Isso pode ser feito conhecendo-se alguns dos genes ou características hereditárias que definirão os filhotes. Certos genes tendem a predominar sobre outros similares; os que predominam são chamados de dominantes, os outros de recessivos.

O pelo preto, por exemplo, é uma característica dominante, ou seja, no cruzamento de um cão preto puro com uma cadela branca pura, a cor preta vai dominar nos filhotes. Falamos mais disso lá em nosso site sobre adestramento de cachorro sem castigo em um mês.

ALGUNS ENGANOS

Há muitas ideias erradas a respeito da reprodução canina. Por exemplo: se uma cadela cruzasse com um cão de outra raça, acreditava-se que seus filhotes e também as próximas crias seriam prejudicadas. Isto não é verdade, porque o desenvolvimento de um filhote não interfere no desenvolvimento do outro, muito menos ainda em futuras gestações.

Outro engano comum é pensar que as características adquiridas são transmitidas aos filhotes.

Também há ideias erradas com relação ao cruzamento de cães que têm parentesco. Na verdade, uma cadela pode ser cruzada com o pai, ou mesmo com o filho ou o irmão. Esse tipo de cruzamento é chamado de consanguíneo. Pode ser benéfico para os filhotes, reforçando algumas características boas. Mas pode igualmente ser desastroso, fortalecendo certas características indesejáveis. Por exemplo: se os cães têm pelos finos, os cruzamentos consanguíneos tendem a afiná-los ainda mais. Usado a longo prazo, o cruzamento consanguíneo leva a uma redução do tamanho e da fertilidade dos filhotes, aproximando-os cada vez mais de um padrão uniforme.

CUIDADOS PARA O CRUZAMENTO

Dificilmente o macho de tamanho pequeno consegue cruzar com cadela de tamanho grande. No entanto, quando isso ocorrer não haverá problema maior. Porém, se um cão de raça grande cruzar com uma cadela de raça pequena, poderá ocorrer uma série de problemas, pois se os filhotes forem muito grandes vão impedir o parto normal, havendo necessidade de se recorrer à cesariana.

Embora muitas pessoas não saibam, a cesariana na cadela é bem comum, principalmente naquelas de raça pequena. Outro fato que geralmente ocorre na união do macho grande e cadela pequena é a possibilidade de ferimentos durante o cruzamento.

Na maior parte dos cruzamentos, porém, não há maiores problemas envolvidos. Apenas devem ser tomados certos cuidados, como o de tratar a cadela contra vermes, ou qualquer outra doença, antes do cio. Uma cadela doente não deve ser cruzada. Como a doença, a gordura excessiva também é considerada como impedimento para a procriação, e as cadelas muito gordas devem emagrecer antes de engravidar. Além disso, para facilitar o trabalho de parto, convém evitar que ela engorde demasiadamente durante a gestação.

GESTAÇÃO E PARTO SEM COMPLICAÇÕES

Se o pai já foi escolhido, deve-se isolar a cadela logo após o cruzamento. Caso contrário, corre-se o risco de aparecer uma ninhada variada, resultado do cruzamento com diversos machos, o que não é nada interessante.

O período de gestação varia entre 57 a 64 dias. O apetite da mãe aumenta bastante durante a gestação. Sua dieta deve ser suficiente em quantidade e em qualidade para que os filhotes tenham um desenvolvimento satisfatório. Entre outras coisas, a dieta da cadela gestante deve conter vitaminas, hidratos de carbono, proteínas e minerais. Um exemplo de dieta mínima seria: leite pela manhã, à tarde e à noite, e arroz com carne magra e legumes no almoço e no jantar. De vez em quando, uma gema de ovo, ou frutas não ácidas. A porção de carne deve ser aumentada duas semanas antes do parto, do mesmo modo que a de leite.

Por volta da quinta semana, as mamas frequentemente inflamam. Nesse caso, é suficiente o uso de um pouco de óleo de bebe e massagens suaves, ou de algumas compressas, para que cesse a inflamação. A partir da sexta semana, tocando-se levemente o abdome da mãe, já é possível sentir os filhotes.

Em casos de constipação intestinal, as doses de laxativos devem ser brandas.

ÚLTIMOS PREPARATIVOS

O contato de crianças com a cadela grávida deve ser controlado. As crianças tendem a se exceder nas brincadeiras, e a cadela estará naturalmente ansiosa e irritadiça. No entanto, desde que tudo lhes seja explicado com detalhes, as crianças poderão até ajudar. Uma boa atitude é permitir que, em vez de brincar, levem a cadela a passeio. Isso será útil também para a cadela, porque, lenta e pesada com o progresso da gravidez, necessita de exercícios sistemáticos e moderados.

Por volta da oitava semana tudo deverá estar preparado para o parto. As cadelas dão à luz sozinhas e são totalmente aptas para cuidar de seus filhotes. Por isso, basta preparar o lugar onde ela terá a ninhada. Segundo os médicos veterinários, o mais simples e eficiente é uma caixa grande onde a cadela se mova à vontade. Deve ter laterais altas para impedir que os filhotes caiam, e um dos lados rebaixado para que a mãe entre e saia com facilidade. Pode-se forrar a caixa com panos limpos ou com jornais, que aquecem os filhotes e são trocados todo dia, o que tornará possível manter a caixa sempre limpa. Ela deverá, ainda, estar elevada, sem contato com o chão ou umidade, e longe de correntes de ar.

NÃO SE DEVE FAZER NADA: APENAS CONTROLAR

Na hora do parto a cadela fica nervosa, cava e se mexe bastante. Se não for levada para a caixa nessa hora, os filhotes nascerão em qualquer outro lugar. Durante o parto, deverá ser vigiada cuidadosamente. Não há necessidade de ficar junto da caixa, o que pode inclusive atrapalhar o andamento do parto. Geralmente, transcorre uma hora entre os primeiros sinais do parto e o nascimento da primeira cria. Os filhotes nascem envoltos em sacos fetais, ligados pelas placentas a um cordão umbilical que os circunda. Assim, a cada filhote corresponde uma placenta,  que  é  expelida juntamente com o saco fetal. A mãe encarrega-se de remover o saco, comendo-o em seguida. Por sua vez o filhote começa a mamar logo que é libertado. De modo geral, a cadela faz tudo sozinha, mas em certos casos é preciso ajuda. Se o parto demora demais, por exemplo, a ajuda de um veterinário será importante para evitar danos para os filhotes.

No caso de a mãe não remover os sacos fetais, esse trabalho deverá ser feito cirurgicamente, mas de modo simples. Sobre uma mesa limpa, e usando uma tesoura esterilizada, corta-se o cordão umbilical dos filhotes a 1 centímetro de sua barriga. Não é preciso amarrar, apenas fazer uma leve pressão com os dedos na ponta. A seguir, limpar o filhote, esfregando-o vigorosamente com uma toalha. Essa massagem ajuda-o a respirar e ativa sua circulação. Se mesmo assim ele não respirar, deve-se segurá-lo de cabeça para baixo e limpar sua boca por dentro.

A mãe costuma ficar bastante cansada após o.parto. Após certificar-se de que não resta nenhum filhote para nascer, deixar que ela saia da caixa, se quiser. No dia do parto, alimentar só com leite. Depois, volta-se à mesma dieta do período de gestação, necessária porque a cadela estará amamentando. Como só há oito mamas, o número de filhotes pode tornar necessário organizar um turno para amamentação, dando-se prioridade aos menores e aos mais fracos. Se a mãe não tem leite, recorre-se ao uso de mamadeiras de conta-gotas, ou de mamadeiras normais, se o filhote for grande. O leite ministrado desse modo deve ser diluído em água, em partes iguais.

Durante a amamentação, as mamas com frequência se inflamam, sendo tratadas como durante a gravidez. A mãe desmama os filhotes no fim da quarta semana. Nessa época, a porção de leite dos filhotes deve ser reforçada por uma papinha de arroz e carne, enriquecida mais tarde com legumes ralados. A mãe já se separa de sua ninhada, voltando somente durante curtos períodos para alimentar os cãezinhos. Quando completarem seis semanas, já poderão ser considerados autossuficientes.

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