Aprenda tudo sobre a Reforma Ortográfica



A reforma ortográfica veio para ficar. Ela é composta por um conjunto de mudanças na grafia, acentuação e acréscimo de letras ao nosso vocabulário. Quer queiramos ou não, precisamos nos adequar às mudanças porque concursos e vestibulares passaram a usá-la. Além deles, os livros passaram a adotá-la a partir deste ano. Pensando nisso, elaborei uma série de pontos que considero importantes e que abarcam as mudanças ocorridas. Isso é bastante importante para vestibulandos e aspirantes a concursos públicos. Sem contar que aprender nunca é demais e quem conhece os mecanismos envolvidos no processo de comunicação é menos manipulado através da linguagem. E para ajudar os professores de Língua Portuguesa, recomendo um blog onde vocês poderão encontrar vários exercícios de Português sobre Reforma Ortográfica com gabarito.

Guia definitivo da reforma ortográfica

1. O alfabeto passa de 23 para 26 letras, com a inserção oficial de K, W e Y.

2. Os sufixos “-eano” e “-eense” passam a ser “-iano” e “-iense”, se o nome de origem terminar com e átono. Ex.: acriano < Acre, cabo-verdiano < Cabo Verde , camoniano < Camões, etc.
Mantém-se “-eano”, “-eense”, se o nome de origem terminar em “e” tônico. Ex.: daomeanos <Daomé; – guineense < Guiné.

3. Não se usa trema nas palavras portuguesas e aportuguesadas.  Ex.:  aguentar,  cinquenta, tranquilo.

4. Nas paroxítonas, não se acentuam ditongos “ei” e “oi” de timbre aberto, quando estes se encontram na sílaba tônica. Ex.: ideia, colmeia, boia,  heroico. Esses ditongos continuam acentuados nas oxítonas e nas monossílabas tônicas. Ex.: papéis, constrói, méis, dói. O ditongo “oi”, de timbre aberto, continua acentuado tanto em oxítonas quanto em monossílabas tônicas. Ex.: chapéu, véu.

5. Desaparece o acento diferencial das paroxítonas que têm a mesma grafia (homógrafas). Ex.: coa, côas (verbo coar); pêra (substantivo equivalente a fruta e a interruptor de luz); para (verbo parar); pela, pelas, (verbo pelar; substantivo); pelo (verbo pelar; substantivo); polo, polos (substantivo equivalente a eixo, jogo, gavião jovem; preposição por + artigo.

6. Permanece o acento que diferencia o singular do plural dos verbos ter e vir (tem-têm / vem-vêm) e de seus derivados (mantém-mantêm / detém-detêm / intervém-intervêm, etc).

7. Permanece o acento diferencial no verbo pôr para distingui-lo da preposição por. Ex.: O que ele fez foi pôr o livro sobre a mesa e sair por aquela porta.

8. Permanece o acento diferencial na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo do verbo poder (pôde), para distingui-la da terceira pessoa do singular do presente do indicativo (pode). Ex.: Você pôde fazer o que lhe pedi pela manhã, mas não pode fazer o que lhe peço agora?

9. É facultativo o acento em forma (substantivo) para distingui-lo de forma (substantivo ou verbo da terceira pessoa do singular do presente do indicativo ou do imperativo). Ex.: Forma bem teu caráter para não caíres na forma dos massificados.

10. Não se acentuam os hiatos “ee” e “oo”. Ex.: crêem, lêem, coroo, voo.

11. Não se acentuam o “i” e o “u” tônicos das paroxítonas se eles forem precedidos de ditongo. Ex.: baiuca, feiura. Atenção! Se o i e o u não forem precedidos de ditongo, serão acentuados. Ex.: caí, viúva.

12. Perde o acento o “u” tônico dos grupos que, qui, gue e gui das formas verbais rizotônicas (que têm acento na raiz). Ex.: apazigues, apazigue; arguis, argui, arguem, averigues, averigue, etc.

13.Emprego do hífen: a nova lei ortográfica simplifica e organiza esse emprego, mas não elimina contradições ou omissões, o que pode gerar dúvida. Veja, a seguir, as regras.

Não se emprega:

  • se o prefixo termina em vogal diferente da que inicia o segundo elemento. Ex.: antiaéreo, au-toescola, contraindicação, extraoficial, infraes-trutura, intraocular, neoexpressionista, semiá-rido, supraocular, ultraelevado;
  • com o prefixo co-, ainda que o segundo elemento comece pela vogal o. Ex.: coocorrer, coocu-par, cooperar, coerdar, coerdeiro;
  • se o segundo elemento começa com s- ou r-(nesse caso, será necessário duplicar o s e o r). Ex.: antissemita, antissequestro, ultrassom, megarraio;
  • Exceção: com os prefixos hiper-, inter- e super-, que terminam em -r, mantém-se o hífen se o segundo elemento se inicia também com r-. Ex.: hiper-resistente, inter-racial, super-resistente.

Emprega-se hífen:

  • quando o prefixo termina com vogal igual à que inicia o segundo elemento. Ex.: anti-inflama-tório, arqui-inimigo, mega-ação, micro-ondas, micro-ônibus, semi-internato, ultra-articulado;
    se o prefixo termina em vogal, e o segundo elemento começa por h-. Ex.: ante-hipófise, anti-higiênico, anti-hemorrágico, extra-hepático, neo-helênico, semi-herbáceo, anti-herói, super-homem;
  • após os prefixos ex-, sota-, vice-, vizo-. Ex.: ex-mulher, sota-piloto, soto-mestre, vice-cam-peão, vizo-rei;
  • após os prefixos circum- e pan-, quando o segundo elemento começa por vogal, m- ou n-. Ex.: circum-adjacência, pan-americano;
  • após os prefixos tónicos acentuados pré-, pró-e pós-, quando o segundo elemento tem vida à parte na língua. Ex.: pré-bizantino, pró-romano, pós-graduação;
  • após os prefixos de origem tupi-guarani que representam formas adjetivas, como -açu, -guaçu e -mirim, quando o primeiro elemento termina em vogal acentuada ou quando a pronúncia exige distinção gráfica. Ex.: amoré-gua-çu, jacaré-açu, paraná-mirim;
  • nos topônimos iniciados por grão- e grã-, ou por forma verbal ou por elementos que incluam artigo. Ex.: Grão-Pará, Grã-Bretanha, Santa Rita do Passa-Quatro, Baía de Todos-os-Santos;
  • com os advérbios mal e bem, quando formam uma unidade sintagmática com significado e o segundo elemento começa por vogal ou h. Ex.: mal-estar, mal-humorado, bem-aventurado, bem-humorado;

Obs.: há alguns compostos iniciados por bem que, tendo o segundo elemento iniciado por consoante, são escritos também com hífen. Ex.: bem-nascido, bem-criado, bem-visto;
nos compostos com além-, aquém- e sem-. Ex.: além-mar, aquém-oceano, sem-número, sem-teto.

Infográfico interativo sobre Reforma Ortográfica

O infográfico abaixo traz de forma bastante simplificada os conceitos que coloquei acima. Para quem não sabe, um infográfico é uma forma mais dinâmica e interativa de apresentar um conteúdo. Nele é possível inserir links, fazer referências diretas entre conteúdos e tornar o ato de aprender algo mais prazeroso. Este que coloco abaixo foi feito pelo site Infonet.

Charge sobre a Reforma Ortográfica

Outra forma bastante interessante de abordar em sala de aula o assunto é usar charges que tratem da reforma ortográfica. Na época de sua aprovação e mais ainda quando entrou em vigor, muitos foram os cartunistas e chargistas que retrataram de forma bastante divertida a situação. Abaixo vocês verão uma imagem, mas estou reunindo muitas outras que tratam do assunto e trarei aqui para vocês.

Você pode, ainda, conferir a grafia de algumas palavras baixando este guia de ortografia da Reforma Ortográfica disponibilizado pelo site G1.

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Comentários:

  1. Professora Ana disse:

    Muito bom, É um dos posts mais completos sobre a Reforma Ortográfica. Seguirei suas dicas e vou imprimir o manual da Reforma Ortográfica que sugeriu aqui. o site está de parabéns pelo conteúdo.

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