A arte de educar os filhos com amor

Educação
setembro 19, 2012

Amar é muito simples — e muito bom — mas quando se trata de educar uma criança é importante saber a medida certa do amor.
Todo mundo quer ser amado; a criança precisa ser amada. Essa necessidade deve ser não só bem dosada como oferecida na hora adequada. Mas não existe uma fórmula infalível para os pais medirem a quantidade certa de amor, embora seja verdade que, em matéria de carinho, antes o excesso que a falta. Quando se trata de educar uma criança, isso se traduz em três palavras: apoio, carinho, compreensão. Desde que nasce, até se tornar adulto, ela vai precisar de amor para ser capaz de dá-lo depois.

AMOR: DO BERÇO AOS SETE ANOS

Nos primeiros meses de vida, o bebé identifica amor com a pessoa que satisfaz suas primeiras necessidades de fome, sede, frio, calor. Por isso, sua primeira ligação afetiva é com a mãe. Alguns meses depois, ele já distingue um estranho de uma pessoa da família, até que, aos dois anos, inicia a fase egocêntrica, quando começa a gostar de si mesmo, além das pessoas da família e dos objetos que o cercam. Mas não faz separações: é capaz de amar alguém da família da mesma forma que ama seu ursinho. A partir desta fase — dois anos — vai se definir sua forma de amor. Dependendo do afeto que recebe, a criança continuará egocêntrica ou não. Se receber carinho e atenção, retribuirá dando afeto. Uma criança rejeitada responderá à falta de carinho concentrando todo seu afeto em si mesma.

A criança sabe perfeitamente quando tem ou não razão. Amar não é permitir tudo o que ela quer, mas proibir com justiça, isto é, com amor.

Com quatro anos, a criança substitui, em parte, a dependência emocional da família pela necessidade de afeto fora de casa, pois precisará que a reconheçam e valorizem como pessoa também em outros grupos. Isso ela poderá sentir quando receber um elogio por um desenho ou quando suas opiniões forem respeitadas. É preciso muito cuidado para não impedir sua curiosidade ou suas iniciativas. Todas as perguntas infantis devem ser respondidas e sua falta de “modos” pode ser uma atitude de curiosidade normal ou uma atividade motora intensa, próprias da infância.

AMOR: FALTA E EXCESSO

Segundo pesquisas, crianças privadas de carinho mostram atrasos no desenvolvimento físico, apatia, pouca capacidade de concentração e hostilidade. E se tornam antipáticas, aumentando ainda mais o desamor das pessoas que as cercam.

O problema da carência afetiva não depende apenas da quantidade de afeto, mas de sua adequação. Agradar uma criança para que ela faça alguma coisa que não quer é comprá-la e fazer mal uso do afeto. A criança acaba percebendo a intenção da mãe e com o tempo também fica interesseira e chantagista.

Em famílias onde há favoritismo por um dos filhos, os outros sentem claramente a falta de afeto. Como consequência, o filho preterido pode atrair a atenção dos pais por meio de atitudes agressivas, procurando carinho pelo caminho errado. A criança pode sentir também que não é amada, quando os pais estão constantemente irritados e impacientes com ela. Como, em geral, são pais imaturos e despreparados, a orientação de um psicólogo é de grande ajuda.

Da mesma forma que a falta, o excesso de amor também prejudica, pois uma criança supermimada é dependente e incapaz de qualquer iniciativa. Se não lhe permitem desenvolver sozinha atividades básicas (como vestir-se ou atravessar uma rua), estará sendo privada de aprender a viver, e esta é uma das atitudes antieducacionais mais nocivas que os pais podem ter.

Muitas vezes, os pais que superprotegem a criança não consideram o filho como um indivíduo com direitos próprios, mas simples objeto de estimação ou, então, uma criatura incapaz de viver sem ajuda. E há ocasiões em que o mimo exagerado pode encobrir um sentimento de culpa, consciente ou não, quando os pais tentam compensar o filho do afeto que não estão dando.

A primeira consequência da superproteção vai aparecer na vida escolar, quando a criança terá dificuldade em suportar que a professora lhe negue alguma coisa ou que ela dê atenção também aos outros. E na adolescência não saberá resolver problemas que exijam iniciativa própria, nem conquistar amigos, pois estará muito envolvida consigo mesma.

Respeitando a personalidade dos filhos, os pais saberão encontrar a medida certa de carinho e atenção, para que a criança de hoje se torne um adulto equilibrado.

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